DE BIKE PELO JALAPÃO: UMA VIAGEM DE 350 KM


Cicloturistas Roda Presa: Marcos; Fran; Márcio; Romário e Cleonice

A ideia de uma viagem autossuficiente de bike pelo jalapão surgiu da vontade de quebra um pouco a rotina na qual eu vinha vivendo. E após muitas pesquisas sobre como era viajar de bike eu notei que as vezes se planeja muito porem falta um pouco de atitude para tirar a viagem do papel, realizei uma pesquisa breve de como era a região e procurei conversa com quem já tinha feito a viagem, após montar o roteiro fui atrás do equipamento necessário para viagem e logo em seguida marquei a data, no começo pensei em fazer o percurso solo porem logo alguns amigos se interessaram e logo virou um grupo de cinco pessoas. Saímos de Araguaína de carro no dia 23 de março de 2016 sentido a ponte alta onde passamos a noite e deixamos o carro na pousada veredas pois o intuito era fazer a volta completa e retorna a ponte alta.

1° Dia de viagem:

Saída de Ponte Alta do Tocantins a cachoeira do lajeado.

Km do dia:36

Altimetria: 249 m

No primeiro de dia de viagem acordamos logo cedo tomamos café da manhã na pousada, e por volta das 8:00 da manhã pegamos a bike e caímos na estrada. Como nunca tínhamos pedalado com alforjes na bike não sabíamos como seria o primeiro dia de pedal então decidimos seguir a dica de um guia local e em vez de pedalarmos 60 km no primeiro dia, optamos por pedalar somente 36 km.

Ao saímos de ponte alta logo veio o primeiro teste duas ladeiras bem íngremes para testar nossa capacidade de pedalarmos com tanto peso na bike e logo notamos que o terreno do jalapão não era tão plano como imaginávamos. Após 16 km de ponte alta chegamos no primeiro ponto turístico a gruta do sussuapara um lugar lindo onde se pode observa a agua escorrendo das rochas pelas raízes das plantas. Demoramos um pouco tomamos um banho para refrescar e abastecemos as garrafas de água e pegamos a estrada, mas logo o sol começou a castigar e cada vez mais aparecia ladeiras intermináveis, após 14 km da entrada da gruta avistamos dois morros que segundo a dica do guia após passar entre eles chegaríamos na entrada de acesso da cachoeira do lajeado, depois de pegamos a segunda entrada a direita saímos da estrada principal e encaramos 3 km de muita areia até a cachoeira onde resolvemos acampar e passar a noite. A Cachoeira nos surpreendeu com sua beleza lugar lindo, excelente pra acampar. Montamos acampamento e depois fomos curtir um bom banho de cachoeira. Nesse dia não tivemos nenhum contra tempo com as bikes.

2°Dia de viagem:

Cachoeira do lajeado, rio vermelho a fazenda Pablo Escobar

Km do dia: 59.9 km

Altimetria: 561 m

Acordamos as 4:00 da manhã desmontamos acampamento e tomamos café da manhã pois nesse dia o intuito era chegarmos na cachoeira da velha. Pedalamos e empurramos as bikes por 3 km até a estrada principal e dali seguimos sentido a cachoeira da velha. Após 2 km pedalados o bagageiro do Márcio começou a apresentar problemas com os parafusos paramos para fazer os reparos e os demais componentes do grupo seguiram viagem, gastamos mais ou menos uma hora para repara os bagageiros pois tivemos que desmontar os alforges atrás das peças e ferramentas necessárias o que atrasou bem a viagem. Após concertamos seguimos para acompanhar o grupo e novamente tivemos problemas com o bagageiro devido a trepidação pois hora o terreno tinha muita costela ou pedregulhos que prejudicavam o giro.

Até então não tínhamos encontrado muita areia pela frente somente muitas subidas e costelas, após 30 km pedalados chegamos ao rio vermelho paramos para tomar um banho e abastecer as mochilas de hidratação, segundo os locais o rio vermelho que não tem mais que 3 metros de largura compensa com sua profundidade que segundo me falaram e de mais de 20 metros. Porém o sol logo começou a castigar pois já se aproximava do meio dia e para piorar começaram os trechos de areia um atrás do outro porém são trechos curtos de 100 a 200 metros de comprimento mas como tinha chovido durante a noite e um pouco pela manhã estava bastante pedaláveis.

Nesse dia antes da entrada para o abrigo na fazenda que era do Pablo Escobar encaramos a serra da muriçoca com uma ladeira que parecia interminável e já era meio dia um sol de rachar, chegamos na entrada porém era mais longe do que havíamos pensado passando 10 km pra mais. Seguimos em sentido ao abrigo e decidimos que iriamos parar para esperar o calor amenizar mais não encontramos uma sombra que abrigasse toda equipe, almoçamos sob um sol escaldante e decidimos seguir viagem. O pedal não rendeu chegamos por volta das 15:30 no abrigo e logo descobrimos que para chegar na cachoeira tínhamos que pedalar um total de 20 km ida e volta e que não e possível acampar lá na cachoeira devido as normas do parque, entretanto pode se acampar no abrigo que serve como apoio aos turistas, além disso o guarda nos falou que o acesso a cachoeira só e possível das 8:00 da manhã as 17:00 da tarde. Então optamos por descansar e conhecer a cachoeira pela manhã. Pensamos que esse seria o dia de maior dificuldade só que nem imaginávamos o que nos esperava no terceiro dia de pedal.

3° Dia de viagem:

Cachoeira da velha a vila do rio novo, nesse dia teve de tudo;

Km do dia: 90,1

Altimetria: 701 m

Nesse dia como dormimos no barracão do abrigo decidimos não montar a barraca, mas fomos acordados na madrugada por uma chuva forte que nos obrigou a ficarmos mudando os sacos de dormir de lugar devido as goteiras que eram muitas. Acordamos bem cedo preparamos um cuscuz para o café da manhã e partimos para conhecer a cachoeira da velha e a praia do rio novo que dá um total de 20 km ida e volta ao abrigo. A cachoeira da velha e muito linda só que é proibido acampar lá. Curtimos um pouco a cachoeira e fomos direto pra prainha do rio novo para tomar um banho e retorna para o abrigo. O intuito nesse dia éramos pedalar 60 km total e acamparmos na vila do rio novo. Como o sol estava castigando muito a gente nesse dia optamos por pedalar a noite uma coisa que não recomendo nessa região. Saímos do abrigo Pablo Escobar as 16:00 da tarde pois o guarda do local nos falou que do abrigo até a vila era somente 45 km, 20 km até a estrada principal e mais 25 km na estrada principal e chegaríamos mas ele errou em 30 km a distância. Quando escureceu pedalamos no mais puro breu apesar dos faróis a estrada tinha muita pedra solta e a minha namorada Fran começou a passar mal devido ao lanche que fizemos antes de sair do abrigo. Começou a vomitar mas não desanimou contudo esse dia a sorte não estava ao nosso lado o farol dela descarregou e logo vimos que a quilometragem estava errada pedalávamos e nunca chegávamos ao lugar e logo ocorreu o primeiro tombo que foi da Fran nesse dia ela ainda caiu mais uma vez apesar disso graças a Deus não se machucou em nenhuma das vezes e logo o meu farol viria a descarregar também. Já era por volta da meia noite e com quase 90 km pedalados avistamos algumas luzes de algumas casas e pensamos que já era o bar da tão falada dona Benita devido ter passado por uma placa que dizia dunas a 5 km, só que as dunas ficavam a 13 km para frente. Como já era tarde e não tinha ninguém acampamos numa área de camping coberta e só pela manhã notamos que tínhamos chegado na tal vila do rio novo. Pagamos 15 reais por pessoa pela noite no camping, que tinha banheiro luz elétrica e era bem organizado. Tinha um bar que tomamos café da manhã, um paçoca de carne de sol com café e seguimos viajem.

4° Dia de viagem:

Vila do rio novo, bar da Benita, Dunas e Serra do Espirito Santo até Mateiros;

Km do dia: 63,8

Altimetria: 730 m

Saímos por volta das 7:00 da manhã após tomar o café e seguimos em sentido a mateiros o intuito nesse dia era conhecer as dunas e a serra do espirito santo e passar a noite em mateiros. Após 13 km pedalados chegamos ao bar da dona Benita por volta das 9:30 da manhã, aliás uma senhora muito alegre, seguimos para as Dunas onde é impossível ir pedalando só se vai a pé ou de carro 4x4 e são 5,5 km até as dunas, como o sol estava castigando muito somente eu e o Márcio decidimos ir correndo até lá. Um lugar de beleza única, com uma lagoa muito linda que se completa com a visão da serra do espirito santo, tiramos algumas fotos curtimos o visual e voltamos para o bar da Benita onde deixamos encomendado um frango caipira pois já estávamos cansados de comer arroz, atum e feijoada em lata.

Almoçamos na dona Benita descansamos um pouco e saímos umas 16:00 horas sentido a serra do espirito santo para vermos o pôr do sol de cima da serra. Deixamos a bike no local onde começava a trilha para o topo da serra e seguimos a pé por uma trilha de mais ou menos 2 km até o topo de onde contemplamos uma vista linda das serras gerais e das veredas que compõem a paisagem do jalapão curtimos o pôr do sol e depois seguimos sentido a Mateiros cidade pequena com muitas pousadas, jantamos num bar e nesse dia decidimos dormir em uma pousada para descansar melhor durante a noite.

5° Dia de viagem:

Mateiros ao fervedouro do Ceiça e camping na cachoeira da formiga.

Km do dia: 35,6

Altimetria: 238 m

No quinto dia resolvemos acorda um pouco mais tarde pois nesse dia pedalaríamos somente 35 km, fomos no supermercado abastecer o nosso estoque de alimentos e depois seguimos viagem sentido ao fervedouro do Ceiça que foi o mais indicado por todos que perguntamos. A estrada começava a melhora menos pedras, areia e também diminuiu bastante as costelas de vacas o que facilitou a pedalada no dia.

Após 20 km pedalados encontramos com o próprio Ceiça que nos falou que já estávamos perto então decidimos acelera o passo, pois estávamos todos ansiosos para conhecer o tal fervedouro que foi uma surpresa geral para todos. Apresentava uma água cristalina mais o que nos surpreendeu foi a força da água que não permitir que a pessoa afunde mantendo ela sempre para cima curtimos um pouco o fervedouro e partimos sentido a cachoeira da formiga onde passaríamos a noite, ao saímos de lá o sol começou a castigar e diminuímos um pouco o ritmo do pedal, após 9 km chegamos a entrada da cachoeira onde notamos que era um areião imenso até lá, mais como nesse mundo tem muita gente boa fomos abordado por duas crianças que nos falou de um atalho que quase não tinha areia e se propuseram a nos leva até lá que para nossa surpresa era quase que 100% pedaláveis.

Da entrada até a cachoeira da formiga e uns 6 km de estrada, chegamos as 15:30 na cachoeira fizemos um almoço e partimos para conhecer a tal falada cachoeira que realmente é linda a sua água e de um verde esmeralda que permitir enxergar o fundo do rio banhamos bastante e tiramos bastante fotos do local e pernoitamos por lá mesmo. Pagamos 30 reais para acampar e banhar na cachoeira e mais 30 pelo jantar que aliás foi o mais gostoso da viagem.

6° Dia de viagem:

Cachoeira da formiga a São Felix do Tocantins ao Fervedouro do Alecrim

Km: 60,7

Altimetria: 437 m

Último dia da viagem seguimos sentido a são Felix para conhecer o fervedouro da alecrim e pernoite. A estrada desse trecho é muito boa apesar disso com bastante subidas e alguns trechos de areião. A paisagem da região e muito linda, chegamos em São Felix por voltas das 14:00 horas a cidade estava um deserto pois tudo fecha para o almoço.

Almoçamos em um restaurante na entrada da cidade e seguimos em busca de uma pousada para passarmos a noite porém todas estavam fechadas, mais fomos abordados por um rapaz que ligou para a responsável da pousada capim dourado que nos recebeu e fez um preço bacana, nos acomodamos e depois descemos sentido ao fervedouro do alecrim que fica às margens do rio sono a uma distância de 1 km da cidade. Como o intuito era ir até ponte alta pedalando decidimos terminar o pedal em são Felix do Tocantins devido alguns companheiros estarem um pouco desgastados pois era a primeira viagem nesse estilo de todos do grupo e nossa viagem terminava ali, fomos resgatar o carro em ponte alta e buscamos as bikes em são Felix do Tocantins e nos despedimos do jalapão lugar lindo com belezas únicas.

E o que tiramos dessa viagem: Viver é como andar de bicicleta. É preciso estar em movimento para manter o equilíbrio.

Por: Marcos e Fran

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